APRECIAÇÃO
Bariani Ortencio*
Apreciação é uma palavra boa quando a gente aprecia,
degusta um de-comer ou uma bebida saudável, condizente. Também
quando se lê um livro com prazer ou se ouve uma música que
nos agrada. Aí, então, damos nossa opinião, a impressão
da leitura e da audição, fazemos uma simples avaliação.No
caso, agora, trata-se de um livro, mas longe de julgar, de fazer crítica
literária. Apenas apreciação e um mero, mas honesto
parecer. Não leio qualquer coisa, e recebo dezenas de livros, pedindo
apreciação.Gosto de um livro bem escrito, principalmente
de contos, onde o autor, realmente se revela como escritor, que sabe o
que conta e sabe como escrever. O escritor é obrigado a conhecer
as palavras, que "as palavras são a ferramenta do escritor".
(Não sou eu o autor, mas aprovo com toda convicção).
Muita gente está escrevendo e publicando, mas nem todos estão
conscientes das exigências para que se possa chamar escritor.
Acabo de ler um livro assim, dentro das normas, de autoria de mulher,
que aqui temos ótimas contistas.A autora é impecável
nas narrativas do começo ao fim, com vocabulário rico e
grandes achados. Construções de frases enxutas, objetivas,
adjetivação que sublima, tornando a obra altamente poética.
Não há períodos frouxos nem períodos desligados
da temática.
Na totalidade, introspecção com personagens autênticas
e vôos soltos, mas sempre bem recolhidos, condensados em trama e
desfechos bem realizados. Personagens constritas, refugiadas em seu interior,
toda amargura, toda angústia magistralmente narradas, onde o leitor
se compartilha com tais personagens, subindo ao palco onde se desenvolve
a trama. Encontramos no livro narrativas de altíssimo valor psicológico,
personagens ensimesmadas, com seus segredos lacrados e refugiados nos
íntimos, somente a autora consegue buscá-los, trazendo-os
à tona, extravasar esses escondidos das almas de seus bem delineados
personagens. Durante todo o desenrolar da leitura encontramos rostos irreais
que se reconhecem, se mostram, à medida que seus anseios de sonhos
mal sonhados, impossíveis de serem reais, tentam subir, e, de pronto,
se apresentam.
Conta, mostrando a realidade da vida das metrópoles e da roça,
pelos seus personagens tão diferentes uns dos outros, mas permanecendo
a força telúrica da autora em um ambiente, e a força
da modernidade em outro, "na cidade e na roça", parodiando
o título do de livro de 1923, do precursor Pedro Gomes. Finalmente,
solidões íntimas, mas coletivas no cômputo geral de
todos os onze contos.
Relato, enfim, o livro Fuso de Prata da contista, poeta e uma das
principais artistas plásticas do nosso País, dileta mulher
do escritor Coelho Vaz, nosso presidente da Academia Goiana de Letras,
Alcione Guimarães.
Macktub
*Publicado em 27 de novembro de 20006 no Jornal O Popular de Goiânia-Goiás,
pelo escritor Bariani Ortencio, romancista, contista e historiador, membro
da Academia Goiana de Letras e do Instituto Histórico Geográfico
de Goiás.
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