Mezzo Vôo
MEZZO VÔO
Sônia Barros
ISBN 978-85-7751-004-7
abril de 2007
64 páginas - R$15,00
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Sônia Barros - foto de Mario Rui Feliciani
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UM VÔO QUE NOS ILUMINA

Lendo o livro da poetisa Sônia Barros Mezzo Vôo editado pela Nankin Editorial apreendo o quanto trabalha biograficamente os seus poemas para transcender-nos enquanto leitores atentos da sua dicção poética.

Parece-nos que Sonia tenta resolver o Pathos ou o seu Dkarma através desses poemas; mas de forma mais transcendente sem escape discursivo do feminismo tão em voga. Esse estilo que a meu ver não transcende apenas enfada essa passagem que nos ilustrou o bardo Dante: a vida.

Sônia Barros tomou posse de uma das mais belas metáforas da tradução da poesia que é o pássaro ao captar as sutilezas que sua alma-pássaro passou ao longo dela. Sonia faz uso de sua voz inerente sem expressar-se com banalidade, procurando dizer esse algo mais que os artistas o fazem com naturalidade, em sua remissão de tradutores da realidade, que por si só já é extenuante bela ou pulha, dependendo do lado que se tome posse.

Mezzo Vôo versa o diálogo aprofundador de questões relacionadas ao lugar da poetisa ao perceber essa estranha face da modernidade em sua agônica existência. O Espaço da modernidade oprime tanto o Ser através da sistematização e da estimativa, do corporativismo de toda qualidade moral em quantidade de mediação ao varejo; o mundo da forma que o conhecemos demonstra-se extremamente invasivo à poesia e ao artista, preenchendo sua repulsa e recusa com as mesmas formas (ainda mais sofisticadas) que os nazi-fascistas da segunda grande guerra do século XX. É a tentativa de transformar os artistas em burocratas do saber, e só para aí terem permissão a sua voz (re)ativa: voz de adorno.

Para se voltar contra essa sórdida realidade e o logos diabólico, que tem o espaço emblemático da modernidade ligado em cadeia, o poeta busca proclamar sua autonomia na afirmativa da metáfora que no caso de Sonia Barros a edifica como reafirmação do espaço tomado. É nisso que resiste o conceito do Poeta: Ser

O Pathos ou Dkarma de Mezzo Vôo é afirmativa da metáfora da dominação desse emblemático espaço da modernidade que prende o pássaro numa cadeia, e não queremo-nos que Sonia Barros seja mais um Ícaro que decai no mar Egeu, mas, sobrevivente pela sua voz tão pungente e verdadeira.

ERIC PONTY


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