| UM
VÔO QUE NOS ILUMINA
Lendo o livro da poetisa Sônia
Barros Mezzo Vôo editado pela Nankin Editorial apreendo o quanto
trabalha biograficamente os seus poemas para transcender-nos enquanto leitores
atentos da sua dicção poética.
Parece-nos que Sonia
tenta resolver o Pathos ou o seu Dkarma através desses poemas; mas de forma
mais transcendente sem escape discursivo do feminismo tão em voga. Esse
estilo que a meu ver não transcende apenas enfada essa passagem que nos
ilustrou o bardo Dante: a vida.
Sônia Barros tomou posse de uma das
mais belas metáforas da tradução da poesia que é o
pássaro ao captar as sutilezas que sua alma-pássaro passou ao longo
dela. Sonia faz uso de sua voz inerente sem expressar-se com banalidade, procurando
dizer esse algo mais que os artistas o fazem com naturalidade, em sua remissão
de tradutores da realidade, que por si só já é extenuante
bela ou pulha, dependendo do lado que se tome posse.
Mezzo Vôo
versa o diálogo aprofundador de questões relacionadas ao lugar da
poetisa ao perceber essa estranha face da modernidade em sua agônica existência.
O Espaço da modernidade oprime tanto o Ser através da sistematização
e da estimativa, do corporativismo de toda qualidade moral em quantidade de mediação
ao varejo; o mundo da forma que o conhecemos demonstra-se extremamente invasivo
à poesia e ao artista, preenchendo sua repulsa e recusa com as mesmas formas
(ainda mais sofisticadas) que os nazi-fascistas da segunda grande guerra do século
XX. É a tentativa de transformar os artistas em burocratas do saber, e
só para aí terem permissão a sua voz (re)ativa: voz de adorno.
Para
se voltar contra essa sórdida realidade e o logos diabólico, que
tem o espaço emblemático da modernidade ligado em cadeia, o poeta
busca proclamar sua autonomia na afirmativa da metáfora que no caso de
Sonia Barros a edifica como reafirmação do espaço tomado.
É nisso que resiste o conceito do Poeta: Ser
O Pathos ou Dkarma
de Mezzo Vôo é afirmativa da metáfora da dominação
desse emblemático espaço da modernidade que prende o pássaro
numa cadeia, e não queremo-nos que Sonia Barros seja mais um Ícaro
que decai no mar Egeu, mas, sobrevivente pela sua voz tão pungente e verdadeira.
ERIC PONTY |