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"Carece
ler a poesia de Donizete Galvão" ERIC PONTY |
Como havia dito anteriormente sobre a grande poesia de Donizete Galvão na minha resenha "Da conjectura da pedra ao silêncio do poeta" que eu aqui reproduzo como princípio de reflexão para com seu novo livro Ruminações - Ed. Nankin - São Paulo - 1999 recém-lançado: lembra o grande poeta João Cabral de Melo Neto, versificador por excelência da pedra neste século e peço a licença de citá-lo, embora a poesia de Donizete Galvão não pertença a esta família de construção do verso há a mesma contenção de expressão sem excessos como em "Anil" que poderia ter sido escrito por qualquer poeta de nossa primeira fase modernista, mas há aqui uma atualização da sintaxe (...) Esta exasperação da pedra ou contenção talvez se amena um instante que é no belo conjunto de poemas "São José del-Rei" onde a pedra toma o caráter elegíaco de um Rilke das "Elegias de Duino"; ou seja, esta exasperação e escassez de linguagem devem-se ao espaço geográfico do qual o poeta nasceu e na qual este se situa, que é o espaço da terra. Ruminações de Donizete Galvão é um livro de 'iluminações poéticas" que tangem nossa sensibilidade como em poemas como "Música de Górecki", "Curral", "O Senhor dos Guizos", "Salva-Vidas" num total de 39 poemas e onde este resvala poética e confessionalmente num só poema o de abertura denominado "Encoiceados" que não tem a densidade que o poeta quis passar pois o poema leva um coice mais parecendo àqueles poemas blaques soturnas do Manuel Bandeira que poderia ter sido substituído por um dos mais belos poemas que eu li ultimamente (não consta neste livro) na falecida e de saudosa memória Revista Xilo que é "Oração". "Ruminações" de Donizete Galvão é um daqueles livros que devemos aprender a ouvir o que diz o silêncio pois este nos demonstra as virtudes desta como um usufruir de seus versos essenciais. Repito, parafraseando Mario de Andrade :"Carece ler a poesia de Donizete Galvão". Se você ainda não o fez faça, pois carece. Poeta e escritor. Colaborador das Revistas Dimensão, Órion e Revista Poesia Para Todos. |
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