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INÁ CAMARGO COSTA


Qual a importância de rever a "história oficial" do teatro americano?
A "história oficial" do teatro americano moderno dá uma idéia parcial do que foi a riquíssima experiência teatral nos Estados Unidos. Além de silenciar sobre figuras e episódios de extremo interesse, ela não explica, ou explica mal, a obra dos próprios dramatugos que valoriza. A conseqüência é que ficamos sem parâmetros para avaliar o papel desses autores na experiência brasileira.

Qual o impacto do teatro operário na obra dos grandes dramaturgos do país?
Foi tanto temático quanto formal. Para dar exemplos examinados no livro e conhecidos no Brasil, peças de Eugene O'Nel com O Imperador Jones e O Macaco Pelado tratam de temas que o movimento operário estava discutindo; Arthur Miller começu a escrever peças que tratam de aspectos da política dos trabalhadores depois de assistir espetáculoos de teatro operário; e, por fim, Tennessee Williams, desde À Margem da Vida, retoma experimentos formais que tinham sido feitos pelo teatro operário já no começo do século.

Como o teatro moderno americano influenciou o brasileiro?

Simplesmente dando régua e compasso para todo o nosso teatro moderno, desde a fundação do TBC aqui em São Paulo e de companhias como a de Maria Della Costa. A partir dessa época, fins dos anos 40, a cena brasileira passou a ter regularmente dramaturgos americanos em cartaz. Não demorou muito tempo para os brasileiros também começarem a escrever como eles e um dos mais interesantes exemplos é Jorge de Andrade.

Entrevista ao Suplemento MAIS, Folha de S. Paulo, 03/02/2002