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sobre Glauco Mattoso LEO GILSON RIBEIRO |
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É possível que, hoje em dia, o mais espontâneo sonetista da língua portuguesa seja Glauco Mattoso. Quem duvidar abra, a esmo, qualquer página de seus "sonetos colaterais" à guisa de bula de remédio, reunidos sob o título de Panacéia (Nankin Editorial). Trata-se de uma mistura rabelaisiana da terminologia voluntariamente chula e da menção de gênios das diversas literaturas estrangeiras, tudo com uma veia satírica e amavelmente desrespeitosa de quem bebeu litros de Nietzsche. Amante confesso dos gozos inenarráveis que acha que o pé traz a seu servo, não lhe escapa nada do processo de ridícula americanização da língua falada no Brasil, como, por exemplo: SONETO AVAILABLE Agora o português se expressa assim: Furgão é "van", adolescente é "teen"; Pleiofe, teste draive, fastifude, a gangue, o drogadito, o drime time, é naice, é uma overdose, é verigude. Ninguém consegue mais falar direito. "Eu vou estar fazendo" é o que se diz. Um dia, alguém a idéia tem, feliz, de traduzir "straight" como "estreito". Até que um dicionário nos ajude; Até que a poesia arrume e rime e que um brazilianista entenda e escute. Portanto, jovem, faz favor de, enfim, "disponibilizar" teu pé pra mim! Leo Gilson Ribeiro - Caros Amigos, n. 45, dez/2000 |
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