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CINEMA & FILOSOFIA 1 - direção de Flavio Paranhos
Sem dúvida alguma, o cinema
é arte, sim, e das boas. E, sendo arte, será também Filosofia,
já que é isso o que a boa arte, em quaisquer das formas que assuma,
faz: pensar. Não somente os Bergmans, os Tarkovskis, os Kurosawas, os Woody
Allens, os Greenaways, enfim, não somente diretores dos chamados filmes
de arte fazem pensar. Filmes singelos e (aparentemente) despretensiosos também
são capazes de cumprir essa função. Uma cena belíssima,
um diálogo inteligente, uma música colocada na hora certa, qualquer
filme ou pedaço de filme pode ter sobre nós o mesmo efeito da leitura
de um tratado filosófico. Os ângulos do cinema a serem explorados
pela Filosofia são inúmeros. O autor deste De Hitchcock a
Greenaway, pela história da Filosofia é Julio Cabrera, professor
da UnB, com grande experiência no assunto. A primeira parte do livro
é teórica e retoma os conceitos fundamentais, tais como "logopatia"
e "conceito-imagem". É o resultado de reflexões do autor
em debates, cursos e conferências sobre cinema e filosofia no Brasil e no
México. A segunda parte contém novos comentários de filmes
ao longo da história oficial da Filosofia. Partindo do impacto do filme
O sexto sentido, o autor declarou: "Nenhum outro filme recente me
fez sentir tão fortemente como o cinema pode pensar". E não
só pensar, como confundir, emocionar, interpretar e esclarecer. Este livro
abre as discussões sobre cinema e Filosofia no Brasil, e indicam a necessidade
de se abordar as reflexões cine-filosóficas. É uma lacuna
que começa a ser preenchida. Filmes de Alfred Hitchcock, Mel Brooks,
Woody Allen, Speilberg, Roberto Benigni, Neil Jordan, Fellini, Antonioni, Peter
Greenaway, Tim Burton, Milos Forman, entre muitos outros, são analisados
e confrontados com conceitos de Aristóteles, Schopenhauer, Heidegger, Nietzsche
, Deleuze, Kant, Sartre, John Stuart Mill, Hegel, só para citar alguns,
numa abordagem que coloca o cinema - dos filmes mais simples aos mais elaborados
- num novo patamar de entendimento. Julio Cabrera analisa o argumento, o enredo,
a montagem dos filmes e tira deles os conceitos filosóficos que os diretores
sequer imaginaram, num verdadeiro "o que está por trás dos
filmes". Não só o trabalho dos diretores são analisados
e comentados, mas também o trabalho dos atores. O último capítulo
"Os brutos também traduzem" traz uma bem-humorada lista de títulos
de filmes traduzidos para o português em confronto com o nome original,
mostrando o quanto os nossos "tradutores" acertam ou deturpam o entendimento
de uma obra cinematográfica e trata especificamente da renomeação,
não da tradução. O que se pretende mostrar é que os
brutos também renomeiam e criam títulos absurdos e desvinculados
do original. O segundo volume será inteiramente dedicado à filosofia
de Woody Allen.
Inclui o essencial apêndice: Os brutos também
traduzem Considerações filosóficas acerca de títulos
brasileiros de filmes
Antônio do Amaral Rocha/Flávio
Paranhos |