Drummond Cordial
DRUMMOND CORDIAL
Jerônimo Teixeira
248 p. - R$35,00

capa em alta resolução

“Tive ouro, tive gado, tive fazendas. / Hoje sou funcionário público. / Itabira é apenas uma fotografia na parede. / Mas como dói!”. Nos conhecidos versos finais de “Confidência do itabirano”, está condensada a trajetória pessoal do autor, Carlos Drummond de Andrade, das fazendas de Itabira às repartições públicas do Rio de Janeiro. E neles também repercutem as profundas mudanças sociais por que passava o Brasil de então, com suas oligarquias rurais lentamente cedendo às pressões da urbanização. Em Drummond Cordial – trabalho que foi um dos vencedores do IV Concurso Nacional de Ensaios Ministério da Cultura Nestlé –, o jornalista e crítico Jerônimo Teixeira analisa a dimensão histórica da poesia drummondiana com ajuda da noção de “homem cordial”, desenvolvida por Sérgio Buarque de Holanda.
A cordialidade não é, como muitos acusam – às vezes sem ler Raízes do Brasil –, uma apologia da bondade pátria. Pelo contrário, trata-se de um conceito que até hoje guarda grande alcance crítico para a análise da vida institucional brasileira – e, como se demonstra neste livro de forma inovadora, também para a crítica literária. Herdeiro decaído do poder familiar dos fazendeiros, nostálgico mas desiludido em relação ao mundo afetivo que deixou para trás na cidadezinha qualquer de Minas Gerais, o funcionário drummondiano encarna o homem cordial submetido às pressões da vida mecanizada na cidade. Mas a poesia de Drummond também flagra – em um piano antigo, nos retratos de família, no pai mineiro que aparece enterrado sob o asfalto de uma rua carioca – o poder renitente dos velhos laços familiares. Nessa encruzilhada histórica entre o Brasil arcaico e o mundo moderno, o conceito de cordialidade faz as vezes de uma bússola sociológica: orienta o crítico pelos caminhos pedregosos da lírica de Drummond. E esse instrumento analítico apresenta toda a delicadeza e a perspicácia exigidas para análises originais de grandes poemas como “Resíduo”, “Oficina irritada”, “Os bens e o sangue” e “Escada”, entre outros. Com sensibilidade apurada, Drummond Cordial desvenda detalhes até hoje pouco observados na dolorosa fotografia que o poeta itabirano pendurou em nossa parede.

Jerônimo Teixeira nasceu em Montenegro, Rio Grande do Sul, em 1968. Jornalista, trabalha na revista Veja. É autor da novela As Horas Podres e do livro de contos Pedacinho do Céu. Drummond Cordial é sua dissertação de mestrado em Letras, defendida na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Nankin Editorial
ISBN 85-86372-81-1
2005
248 páginas
R$35,00

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