DE HITCHCOCK A GREENAWAY PELA HISTÓRIA DA FILOSOFIA
NARRADORES DE MACHADO DE ASSIS
Gabriela Kvacek Betella
ISBN 978-85-7751-018-4
Co-edição com a Edusp
publicado em novembro de 2007
240 páginas - R$35,00
Capa em alta resolução

Embora a crítica moderna considere que Machado de Assis tenha alcançado sua maturidade apenas depois da publicação das Memórias Póstumas de Brás Cubas, ela, na realidade, pouco se concentrou na análise mais aprofundada de seus dois últimos romances, escritos já no século XX, assim como de certa maneira negligenciou a sua contribuição derradeira como cronista para a série intitulada A Semana. Talvez haja nisso, implicitamente, a idéia de que tais obras representariam uma fase de "decadência" de nosso maior escritor. O presente trabalho procura ir contra essa tendência, mostrando que, nessas obras, Machado de Assis atingiu um grau de domínio e perfeição da técnica narrativa, se não superior, pelo menos igual ao de suas produções mais consagradas.

O livro explora os temas maciadianos seguindo de perto a proposta de encontrar o nexo entre a ideologia do rentista do início do século XX no Brasil e seus modos de pensar, sentir e dizer através dos narradores criados por Machado de Assis, cujos parâmetros estão nos princípios fecundos da crítica inovadora de Roberto Schwarz. Contudo, apesar de sua inegável filiação a essa importante tradição de leitura dos textos machadianos, a autora não se restringe aos seus aspectos exclusivamente sociológicos, focando a sua análise no modo como Machado de Assis, ao produzir esses tipos de narradores, também criava uma técnica literária extremamente original, que procurava tanto absorver o melhor da literatura universal como adequá-la para o meio brasileiro. Além disso, também é ressaltado no livro o caráter moderno desse procedimento, demonstrando a profunda consciência crítica do escritor, a mesma que o afastava dos preconceitos provincianos e dos modismos imitativos de sua época. Pode-se encontrar exemplos dessa originalidade de Machado logo no primeiro capítulo, quando a autora estuda a armação elaborada por ele ao escrever dois romances com a mesma "moldura narrativa", e no último capítulo, quando o estudo das despretensiosas crônicas revela ligações entre forma narrativa e um ethos similar ao que Machado escolheu para seus grandes romances em primeira pessoa.

Na realidade, pode-se afirmar que o grande inspirador das idéias elaboradas neste trabalho é Antonio Candido, que viu na ficção de Machado de Assis um dos auges da superação dialética entre o local e o universal na literatura brasileira. Segundo ele, através de técnicas narrativas heterodoxas Machado trouxe para primeiro plano o "homem existente no substrato dos homens de cada país, região, povoado".


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