Outros perfis de Gilberto Freyre
OUTROS PERFIS DE GILBERTO FREYRE
Voltas duras/dóceis ao cotidiano dos brasileiros
Ana Luiza Andrade
ISBN 978-85-86372-99-5
abril de 2007
272 páginas - R$40,00
Capa em alta resolução

Ana Luiza Andrade


Gilberto Freyre tornou-se um dos grandes intérpretes do Brasil com Casa-grande & senzala e seus prolongamentos, um pouco menos conhecidos, mas não tão menos importantes, Sobrados e mucambos e Ordem e progresso.
Seus outros trabalhos, ainda que repitam em alguma medida métodos adotados e temas centrais da famosa trilogia, no entanto, não devem ficar à sombra da grande empreitada. Em livros como Açúcar, Um engenheiro francês no Brasil, Modos de homem & modas de mulher e Ingleses no Brasil, entre tanta obra dispersa na forma de ensaios para revistas acadêmicas e para jornais, nem sempre recolhidos na forma de livro, Freyre aprofunda seu prolífico (mas também polêmico) olhar sobre o país e sobre o brasileiro.
É justamente dessas obras, que nascem do projeto de Freyre de estudar o surgimento e a decadência da sociedade patriarcal ou que, por outra via, ajudam a consolidá-lo, que Ana Luiza Andrade parte para realizar este livro, Outros perfis de Gilberto Freyre.
Ana Luiza faz um feliz contraponto entre Freyre e Fernando Ortiz, o cubano que estudou o conflito entre as culturas do açúcar e do tabaco na ilha do Caribe, para mergulhar, em seguida, nas “engenharias” freyrianas: a física, a social e a humana. E, deste mergulho, emergem ensaios próprios que, assim como a obra que o inspirou, não respeitam os limites “científicos” que separam a história da literatura e da sociologia, a antropologia da filosofia e a poesia da, veja só, ecologia.
A cultura da cana-de-açúcar não é apenas a de Freyre e a de Ortiz, mas também a de Frei Antonio do Rosário, João Cabral de Melo Neto e Alejo Carpentier. Da mesma forma, nos deparamos com cruzamentos que nos levam a Jacques Derrida, Gilles Deleuze, Alfredo Bosi.
Com o ferro, o contraponto brasileiro à cana-de-acúcar, Ana Luiza seguirá caminho semelhante, fazendo competente e instigante leitura do que a autora chama de “formação inacabada de subjetividades brasileiras” — bem ao espírito de Gilberto Freyre, cujas obras, menores ou maiores, pouco importa, sempre se permitiram germinar na forma de novos ensaios e novas pesquisas, em busca de novos conhecimentos.

Haroldo Ceravolo Sereza



Ana Luiza Andrade é autora de:
Transportes pelo olhar de Machado de Assis: passagens entre o livro e o jornal. Santa Catarina: UNOESC, 1999.
"O olhar nômade nas entredobras barrocas modernas". In: Ciência & Trópico, Recife, n. 2, jul.-dez. 2002, p. 229-252.
"Açúcar, pólvora, poesia". Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, n. 21, jan.-jun. 2003, p. 9-31.




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