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PORTO
SEGURO
Porto Seguro lembra prontamente as viagens. De navegações,
com sucesso, aquelas que encontraram um bom lugar, para descanso ou para
permanência. Depois de três meses no mar oceano Pedro Álvares
Cabral (em 1500) encontrou, na boa terra da Bahia, uma enseada onde abrigou
seus navios e seus homens. Chamou-a Porto Seguro e assim começou
o Brasil.
Uma vez começado, continuou. São 505 anos de História,
no interior da qual inúmeras pequenas histórias aconteceram
e continuam acontecendo. Porto Seguro, outra história é
uma delas; meio antiga e muitíssimo viva e interessante, como são
as histórias bem vividas e bem contadas. Esta se passa em 1945/46,
há apenas meio século, e se constitui num episódio
do mais recente processo de modernização do Brasil.
Esta novela de Hugo Almeida escritor talentoso, autor de diversos
livros narra a aventura de um engenheiro construtor de estradas
e de cais. Trata-se, no caso, de abrir uma estrada, ainda de terra, para
ligar Porto Seguro ao restante do país, e de proteger a cidade
do avanço do mar. Trabalhos feitos com machados, picaretas, enxadas,
pás e lombo de burros, num tempo ainda de poucas máquinas.
As aventuras são narradas pelo neto do engenheiro responsável
pelas obras. Na narrativa convive um cruzamento de memórias (contadas
pelo avô) e de imaginação (trabalho literário
do neto). A estrutura da novela se organiza no ritmo e no processo das
construções. O leitor convive, assim, com duas tarefas:
a do engenheiro e a do escritor.
Ambas são atividades do trabalho humano. A linguagem clara, quase
transparente, e ainda assim sensível ao pitoresco regional e de
época, informa os passos desses dois trabalhos e faz sobressair
justamente o valor do trabalho. Então, reconstituindo um episódio
quase anônimo a estrada então construída, hoje
já está asfaltada e modernizada pelas máquinas, e
o novo cartão-postal da cidade a narrativa oferece o prazer
do texto, o agrado de uma leitura leve e oferece a história dos
homens e das mulheres que construíram e constroem a modernização
e o progresso.
Este livro inaugura a Coleção Porto Seguro de
literatura infanto-juvenil da Nankin Editorial.
Valentim Facioli
Hugo Almeida (1952), mineiro, é autor dos romances Mil corações
solitários (Prêmio Nestlé-1988) e Minha estréia
no crime (juvenil), e dos infantis Todo mundo é diferente,
Mais rápido do que a luz e Pare, olhe, siga: boa viagem.
Organizou o livro de ensaios Osman Lins: o sopro na argila (Nankin).
É doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP).
Mora em São Paulo desde 1984.
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