![]() | O CHOCALHO DE BRÁS CUBAS Uma leitura das Memórias Póstumas Paul Dixon ISBN 978-85-7751-037-5 Co-edição com a Edusp - publicado em setembro de 2009 160 páginas - R$30,00 Capa em alta resolução | |
| Paul Dixon revela uma obra-prima estética e humana Este livro examina, analisa e interpreta um dos romances mais importantes e mais complexos de Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas. O autor, Paul Dixon, é um pesquisador experiente, estudioso de Machado (e do Brasil) há muitos anos, tendo publicado livros e ensaios diversos sobre nosso escritor maior. Dixon é também conhecedor atualizado e atento da vasta produção crítica já existente sobre a obra de Machado. Com esse cabedal e essas credenciais o crítico segue caminhos novos para enfrentar as Memórias Póstumas. Seu instrumental teórico principal se apoia na Fenomenologia, o que lhe exige compreender e revelar as múltiplas conexões internas organizadas no romance, em busca das suas características de obra de arte, da riqueza de sua mensagem e dos valores humanos ali presentes. Dixon alinha-se com Antonio Candido, que diz: “Em Machado, juntam-se por um momento os dois processos gerais da nossa literatura: a pesquisa dos valores espirituais, num plano universal, o conhecimento do homem e da sociedade locais. Um eixo vertical e um eixo horizontal, cujas coordenadas delimitam, para o grande romancista, um espaço não mais geográfico ou social, mas simplesmente humano, que os engloba e transcende.” Assim, este livro investiga as características locais e universais das personagens, as linhas narrativas, as ricas imagens que se intercruzam e se remetem mutuamente, e um conjunto extraordinário de relações que Machado construiu com muita astúcia e muita inovação. O leitor percorre, junto com Dixon, um tecido narrativo no qual as partes, mesmo as menores e aparentemente insignificantes, concorrem para um efeito de conjunto, o que exibe com eloquência o extraordinário trabalho compositivo em que Machado se empenhou. Demonstra que nada nas Memórias Póstumas é gratuito, tudo, ao contrário, é revelador e concorre para que o romance seja o que é: uma obra-prima estética e humana. Essa conclusão seria um simples clichê, já estabelecido desde que o romance saiu em 1880/1881. Porém, o esforço de análise e interpretação de Paul Dixon, sem perder isso de vista, força os limites do já dito e pensado, para oferecer o que esperamos de melhor do aturado e amoroso desse esforço: a posição do defunto narrador (confiável ou não?); o delírio de Brás Cubas e a universalidade do destino humano; a concepção rica e complexa de Machado sobre a natureza; o significado do humanitismo de Quincas Borba; as diversas funções da palavra escrita (o livro e suas implicações); as relações contraditórias de Brás com o Brasil e a cultura europeia e um bocado mais. Enfim, um livro para dispor ou indispor o leitor frente a um emplasto, que cura tudo e nada cura, mentalidade xamânica ou pré-moderna, com suas implicações objetivas e intersubjetivas de uma fauna humana vista por Machado com humor, sátira e excentricidade grotesca. É um livro para o leitor crescer e amadurecer com Brás Cubas. Valentim Facioli |
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