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A FRANÇA CINTILA
Este livro é mais um resultado das pesquisas que Gilberto Pinheiro
Passos empreendeu, há anos, sobre o influxo francês na cultura
letrada brasileira do século XIX. Nos quatro livros anteriores
o autor analisou e interpretou esse influxo nos romances maduros de Machado
de Assis, inclusive seu último estudo dedicado a Dom Casmurro,
publicado pela Nankin Editorial em 2003 (Capitu e a mulher fatal).
Os cinco ensaios reunidos neste volume integram a longa e produtiva história
daquela pesquisa, em parte como assuntos colaterais, mas sempre como complementos
inteligentes e enriquecedores. Assim, Machado de Assis retorna em três
deles e José de Alencar também comparece.
Porém, o mais longo dos ensaios deste livro é dedicado a
revelar em detalhes a presença francesa na Revista da Sociedade
Filomática. Essa revista, publicada entre julho e dezembro de 1833,
teve seis números, sendo a voz pública mais conhecida e
consistente daquela Sociedade, que funcionou na Faculdade
de Direito de São Paulo, no largo de São Francisco. Contudo,
só década de 1970 cento e quarenta anos depois!
a revista foi exumada de um longo sono e mereceu o estudo posterior de
Gilberto Pinheiros Passos, que ora se publica.
No dizer preciso do autor, a vida da Sociedade Filomática (= amigo
das ciências e do conhecimento) se deveu ao entusiasmo da
juventude acadêmica com a Independência e a liberdade política,
aliado à consciência do atraso em que nos encontrávamos
fator ponderável na empresa estudantil e marcaram
o surgimento de ambas (revista e Sociedade). Era uma tentativa de promover
nosso desenvolvimento cultural, colocando nosso país em condições
de absorver o que se passava em núcleos mais desenvolvidos.
Aliás, mesmo na Europa, em diferentes países, floresceram
sociedades filomáticas.
E neste livro encontram-se também informações preciosas
sobre o modo como Alencar e Machado liam e adaptavam autores franceses,
revelando-se mesmo fontes francesas para títulos de romances machadianos.
Contudo, a inteligência e sensibilidade de Gilberto Pinheiros Passos
nada toma como se os autores brasileiros fossem reles imitações
dos autores franceses. Sobretudo demonstra como se estabeleceu um diálogo
rico, com conseqüências e poder sugestivo e criativo para a
literatura brasileira.
Valentim Facioli
NANKIN EDITORIAL
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