Cintilações francesas
CINTILAÇÕES FRANCESAS
Revista da Sociedade Filomática
Machado de Assis e José de Alencar

GILBERTO PINHEIRO PASSOS
128 páginas - R$25,00
ISBN 85-86372-93-5
Publicado em outubro de 2006

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Gilberto Pinheiro Passos
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A FRANÇA CINTILA

Este livro é mais um resultado das pesquisas que Gilberto Pinheiro Passos empreendeu, há anos, sobre o influxo francês na cultura letrada brasileira do século XIX. Nos quatro livros anteriores o autor analisou e interpretou esse influxo nos romances maduros de Machado de Assis, inclusive seu último estudo dedicado a Dom Casmurro, publicado pela Nankin Editorial em 2003 (Capitu e a mulher fatal).
Os cinco ensaios reunidos neste volume integram a longa e produtiva história daquela pesquisa, em parte como assuntos colaterais, mas sempre como complementos inteligentes e enriquecedores. Assim, Machado de Assis retorna em três deles e José de Alencar também comparece.
Porém, o mais longo dos ensaios deste livro é dedicado a revelar em detalhes a presença francesa na Revista da Sociedade Filomática. Essa revista, publicada entre julho e dezembro de 1833, teve seis números, sendo a voz pública mais conhecida e consistente daquela Sociedade, que “funcionou” na Faculdade de Direito de São Paulo, no largo de São Francisco. Contudo, só década de 1970 — cento e quarenta anos depois! — a revista foi exumada de um longo sono e mereceu o estudo posterior de Gilberto Pinheiros Passos, que ora se publica.
No dizer preciso do autor, a vida da Sociedade Filomática (= amigo das ciências e do conhecimento) se deveu ao “entusiasmo da juventude acadêmica com a Independência e a liberdade política, aliado à consciência do atraso em que nos encontrávamos — fator ponderável na empresa estudantil — e marcaram o surgimento de ambas (revista e Sociedade). Era uma tentativa de promover nosso desenvolvimento cultural, colocando nosso país em condições de absorver o que se passava em núcleos mais desenvolvidos.” Aliás, mesmo na Europa, em diferentes países, floresceram sociedades filomáticas.
E neste livro encontram-se também informações preciosas sobre o modo como Alencar e Machado liam e adaptavam autores franceses, revelando-se mesmo fontes francesas para títulos de romances machadianos. Contudo, a inteligência e sensibilidade de Gilberto Pinheiros Passos nada toma como se os autores brasileiros fossem reles imitações dos autores franceses. Sobretudo demonstra como se estabeleceu um diálogo rico, com conseqüências e poder sugestivo e criativo para a literatura brasileira.

Valentim Facioli

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