Meia orelha para o defunto
Release de Um defunto estrambótico
Valentim Facioli
168 p. - R$30,00
Mas, defunto é capaz de contar histórias, mesmo que sejam suas próprias memórias do além-túmulo? Talvez, se isso acontecer num mundo às avessas. Essa é a provocação que Machado de Assis lança à cara da gente.
Seria apenas uma brincadeira, um capricho, um desrespeito ao leitor, ou algo mais? Haveria nela uma ruptura com um princípio básico do realismo, uma quebra da verossimilhança? Ou uma fraude? Ou... A narrativa de Machado tem forte efeito realista, mas também dança oscilando à beira do delírio, da desrazão, do amalucamento.
Este estudo analisa as muitas implicações dessa narrativa, especialmente as astúcias, máscaras, meias verdades, meias mentiras e fraudes do narrador Brás Cubas, cujas memórias são também em boa parte as do Brasil escravista, e procura dar conta da ironia estratégica utilizada por Machado de Assis para envenenar, desqualificar e desmascarar seu narrador-protagonista.
Humor, ironia, sátira, tudo de mistura com melancolia, ruína e morte, como o registro machadiano para o mundo estrambótico de suas personagens e sua história. Trata-se de um estudo forte e didático, escrito para os leitores mais jovens e para os que querem se iniciar, ou continuar, na desafiadora aventura de ler e conviver com a extraordinária obra de Machado de Assis.