![]() | Estratégias
e máscaras de um fingidor A crônica de Machado de Assis Dilson F. Cruz Jr. 240 p. - R$30,00 |
| Machado de Assis foi tão excelente cronista quanto romancista, contista,
poeta e crítico literário. Ele escreveu crônicas durante
toda sua carreira, produzindo centenas de textos, muitos e muitos verdadeiras
obras-primas, nobilitando o gênero, dando-lhe forma definitiva no
País. Nossos excelentes cronistas do século XX são
devedores do que ele fez. Em geral a crítica tem lido a crônica de Machado apenas como documento histórico da vida cotidiana ou laboratório de empreendimentos mais altos no conto ou no romance. Mas o presente estudo demonstra algo muito diferente disso. Este livro encara a crônica machadiana como forma original e texto autônomo, sob os ângulos da literatura propriamente e também como análise do discurso. Tendo em vista o que de melhor a critica brasileira interpretou de Machado (Antonio Candido, Roberto Schwarz, Alfredo Bosi, entre outros) e as teorias de Bakhtin, Ducrot, as fontes da chamada sátira menipéia etc., Dilson F. Cruz Jr. revela que a crônica machadiana articula-se em dois eixos: a) é um discurso sobre o ato de narrar; b) é a linguagem que apresenta o encontro de inúmeras vozes, portadoras de discursos que se definem quando se confrontam. Levando em conta também o que Davi Arrigucci Jr. define como "uma metafisica de quinquilharias" o autor consegue examinar implicações puco avaliadas nas crônicas que analisa, com repercussão para o conjunto maior da obra machadiana, incluindo os contos e romances, O humor, a ironia, a sátira, o movimento dialético do texto, o inusitado e inopinado dos episódios corriqueiros, as ousadias críticas, os disparates e amalucamentos do cotidiano brasileiro e internacional, a paródia generalizada, o bananoso das pretensões fúteis, vaidades ridículas, manias de superioridade, compensações imaginárias. Enfim, a carga do ranço ideológico posta de supetão ante os olhos pasmos de nós todos. Assim, este livro procura compreender e compartilhar com o leitor o que seu titulo declara: as estratégias e máscaras do grande fingidor que é o cronista de Machado, ou seja, é um estudo da imensa e variada aventura dos narradores dessas crônicas, com um permanente desencanto crítico e negativo que se constrói com humor e ironia. Os muitos exemplos colhidos em excelentes crônicas fazem deste livro uma leitura agradável, sempre desconfiando que, também assim e mesmo assim, o cronista, através da fraude e da gaforinha mal penteada, continua a caçoar de nós até agora. Economista e doutor em Linguística pela USP, Dilson F. Cruz Jr. pesquisa nas áreas de Linguística e Literatura Brasileira. |
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